é tudo verdade

16/10/2006 11:02
Um pequeno aviso e outra, menor ainda, indicação.

Como todos sabem, ou pelo menos eu imagino que saibam, sou evangélico.
Evangélico no sentido de ser aquele que segue, ou tenta seguir, o Evangelho.
Evangelho, de Boa Nova, de anúncio de que hoje, vivemos não sob a Lei, mas sob a Graça.
Graça, de favor imerecido, que também, de graça, ainda de acordo com o Evangelho, devemos distribuir.
Distribuição que faço também, quando posso, noutro sítio, que agora indico:
www.mirplena.blig.com.br
Algumas pessoas têm ido até lá e, com muita boa vontade, comentado.
Faça isso você também se puder, e claro, quiser.
Beijabraço pra todos,
Ricardo.

enviada por ricardo



04/10/2006 02:12
triste

para Nega

depois de um acidente neurológico minha cadelinha está morrendo.
e eu estou triste, muito triste.
tristeza q vem da sensação, pra não dizer certeza, de q ela não merece morrer.
a morte deveria ser reservada àqueles que, como eu, e tvz vc, pisaram ou ainda pisam na bola com os outros e conosco mesmos.
ela não.
nos seus olhos agora esmaecidos eu vejo q não rondam culpas ou desilusões, apenas a resignação daqueles q sabem q um dia tudo acaba.
e eu fico ali, minutos inteiros, embalando-a com minhas cantigas insossas enquanto ela me olha, olha, olha e, finalmente, tomba a cabeça pra descansar.
triste.
muito triste.
mas quero terminar com alegria por tê-la conhecido.
alegria de ter aprendido tanto com ela.
aprendido q muitas vezes a melhor confidente é aquela q se cala, sem olhares recriminatórios,
sem imposições,
sem nada,
apenas oferecendo sua companhia muda, mas sincera.
morra em paz, minha amiga.
e obrigado por ter me deixado pensar algumas vezes q eu é quem cuidava de vc.
parta com Deus, q criou todas as coisas.
a gente se vê.
ricardo.
enviada por ricardo



19/08/2006 22:38
bom humor

a Palavra nos ensina a viver contentes.
na verdade Ela nos exorta a isso.
vivemos?
nem sempre.
um dos segredos - segredo não, tesouro, porque está tudo entregue, basta garimpar - é viver entregue.
entregue a Deus, em fé.
assim, fica tudo mais leve.
leveza que traz firmeza e segurança.
sim! mais um paradoxo dAquele que nos simplifica.
mas, cuidado!
a simplicidade de Jesus não é a nossa.
corações enganosos que temos, muitas vezes queremos que a simplicidade de Jesus seja a nossa mediocridade.
Lucas 12:27 é simples.
medíocre nunca.
basta colocar as lentes certas na hora de ler.
vivamos, então, em estado de Graça.
Graça que nos traz o bom humor dos combatentes.
ainda que cansados.
ainda que tristes por ver tanta desGraça.
pense nisso.
e beijabrace quem puder.
ricardo.

enviada por ricardo



16/07/2006 01:17
Um sopro: duas histórias.

Ele pega o barro, lágrimas, mistura, modela e, enamorado, beija a criação: eis o sopro, eis a vida.

/--/

Ela morre. Ele a enterra. De volta pra casa enumera lembranças. É quando, no canto da sala, vê a bola que ela enchera quando do último passeio com as crianças. Deitado, chora abraçado àquele mundo costurado onde, sabe, está parte daquele sopro que lhe trouxe tanta alegria.

[Ricardo]
enviada por ricardo



07/07/2006 20:40
...

assim navego: no que é quase-dito, no que é quase-sentido. meu mundo é quase.

ricardo, junho de 2006.
enviada por ricardo



14/06/2006 18:38
Ele e os filtros

Todos têm uma história e seus respectivos esquematismos.
Um conhecido, por exemplo, conta da sua ex-amante poderosa. Outro, mais modesto, reparte comigo das suas tristezas cotidianas, como a da eterna história do chefe que lhe tem por alvo...
O ponto de coincidência entre elas é como cada um, com seu filtro, vê Jesus.
O primeiro, teólogo por formação, aprofunda a figura do Filho de Davi numa ética assustadora, cheia de regras, símbolos e rigores quase-terroristas. Este o seu esquema. Talvez - aperto ainda mais minha análise estreita -, seja esse seu kit de sobrevivência num mundo repleto de novas amantes que, agora, devem explodir antes de atacar.
O outro enxerga o Raiz de Judá como alguém que existe num mundo restrito a palavras. Também prático, desfila a cada instante um repertório infindo de "graças" e "pazes", que, aliado a uma freqüência não ordenada aos cultos, transmitem uma frágil impressão do dizer sem vida. Falando em kits, vejo como se o dele fosse aquele do faz-de-conta, onde ele faz-de-conta que é evangélico, e Deus faz-de-conta que acredita ou aceita.
Mas, basta dos retratos, vamos falar de mim.
Como vejo Jesus, e qual meu kit?
Eu sou aquele tipo que suspeita, e apenas suspeita, compreender algo da segunda pessoa da Trindade.
Trato a questão, digamos assim, com um misto de expectativa e desconfiança. Desconfiança não dEle, mas de mim.
Explico: sei que se Ele agisse como muitas vezes acho que deveria agir, também me diria que não veio para mandar descer fogo em pessoas ou cidades.
E essa Verdade me constrange.
Isso porque Ela revela o quão raso sou.
Ilumina também o quão medíocre seria o meu deus, caso eu pudesse, de fato, criá-lo.
Daí porque arrisco dizer que mesmo com fé é, muitas vezes, impossível agradá-lo também.
Isso porque minha fé muitas vezes joga pela acepção, e não o contrário.
E isto é iniquidade.
Como você o vê?
enviada por ricardo



11/06/2006 12:51
solitude

gosto da solidão.
ela me dá tempo de pensar em tudo, ou em nada, como ela quiser.
sim! ela quiser. porque na solidão eu me deixo por conta dela.
e aí ela me embala com uma música aqui, um texto acolá.
e a coisa - que é a própria vida - vai se compondo.
como que ao acaso.
como aquelas sopas que se cozinha com tudo o que se encontra:
juntamos pedaços, sabores, sensações, e vamos mexendo, mexendo, até que se diga: "sim, podemos servir".
muitos - um, em especial até já me disse - pensam que sendo assim eu perco tempo, talento, essas coisas...
eu de meu turno olho pra minha solitude e digo:
eles não sabem de nada.
às vezes nem nós - eu e a solidão sabemos -, é verdade.
e sorrimos, gargalhamos: quietos, mudos, como só os solitários sabem fazer.

enviada por ricardo



11/06/2006 01:36
dia oito

num dia oito eu vinha ao mundo.
pra ter a isadora e ana.
pra amar a denise até o fim.
pra buscar uma experiência não-religiosa com Jesus.
pra conhecer tanta gente, e, confesso,
amar algumas mais que as outras.
pra ler um comentário tão singelo e carinhoso do walter e da nina e, a partir daí, me motivar a escrever sobre esta data.
...
foi num dia oito.
e continua sendo.
...
se a partida será num dia igual eu não sei.
sei que tudo o que escrevi aí pra cima me importa.
hoje e sempre.
amém.
enviada por ricardo



20/05/2006 20:36
q contar?

Puxei a data do post passado e vi q faz mais de um mês q não venho aqui.
Puxa, mais de 30 dias!
Tanta coisa aconteceu, está acontecendo.
Estabelece-se o dilema: o q contar?
O q é tão importante assim para merecer letras aqui.
Não pelo espaço, mas pelo registro.
Penso
(...)
Resolvo publicar o texto de Hebreus 3:13, onde se lê:
"Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;"
Por que este texto e não outro?
Por conta da percepção de que, passados mais de trinta dias, o que vale mesmo é minha condição no dia chamado Hoje.
E percebo também que muito de mim foi se endurecendo neste período.
Senhor, amoleça nossos corações!
Ricardo.
enviada por ricardo



15/04/2006 12:57
rodeios, festas e afins

não, eu não vou escrever um libelo crime-acusatório sobre o título.
até porque, sinceramente, conteria algo de ciúmes, o que de pronto reconheço.
então, trato do tema pela ótica da leveza.
desta leveza, ainda que alienatória ao extremo, que os festejos populares quase sempre carregam.
leveza que se contrapõem à dureza concreta das vidas que ali, na geral, se aglomera, grita, pula e incorpora o cowboy que jamais foi ou será.
uma fantasia.
de tantas outras - eróticas logo me vêm à lembrança - que estas pessoas vivem pela tv.
sim! há fantasia nestes espetáculos.
há catarse, pra lançar mão de uma expressão mais-que-batida, mas ao caso apropriada.
e é tudo muito simples assim.
o que me leva a escrever, entretanto, é que hoje me dou conta, tateando os calos n'alma, que esta espécie de mundo fantasioso a gente cria a todo instante.
sim! a todo instante.
e isso ultrapassa a questão de que a vida é dura.
considero, finalmente, que estas fantasias vêm de encontro há alguma coisa inerente a nós: a vontade de sermos mais, muito mais do que vemos no espelho todos os dias.
e os ídolos prestam-se a este serviço.

ricardo, um fã de tantas coisas quantas você pode imaginar. e, ao mesmo tempo, desentusiasta de outras tantas, o que, vira-e-mexe, faz desanimar aqueles que se atrevem a conviver comigo.
enviada por ricardo



07/04/2006 21:47
despedidas

"Meu avô, analfabeto, homem simples,
sem nenhuma das sofisticações da civilização,
foi de árvore em árvore, abraçou-se a cada uma delas,
chorando. Ele adivinhava que não voltaria."
[josé saramago]

enviada por ricardo



07/04/2006 20:26
"desde que o mundo é mundo"

Foi numa aula de direito penal que ouvi esta frase pela primeira vez.
Claro que eu já a trombara por aí, mas só naquela noite é que mirei nos seus olhos.
E a gente só aprende, e guarda, e mastiga, quando é assim: quando, finalmente, aquilo faz algum sentido. E fez.
Voltei pra casa ruminando aquele estranhamento: "deste que o mundo é mundo... desde que o mundo é mundo... desde..."
E assim fui deitar.
Até que lá pelas tantas me dei conta de que o susto não se devia à frase em si, mas ao descobrimento de que eu estava no tal mundo, e, mesmo sem querer, perpetuava em mim histórias encamadas de pó.
Foi como se, ao trafegar por aquele raciocínio, eu, de pronto, ficara velho, encardido, enrugado.
O resultado? Naquela madrugada fumei mais que o normal, e, ao sair, carreguei pelas ruas as olheiras de sempre, tão idênticas nas suas cores e motivos à tantas que já haviam existido desde que..., bom, vocês já sabem.
Eis o meu rito.
Qual o teu?

Ricardo, o Neves.
enviada por ricardo



01/04/2006 18:05
tudo muda

Teve época, até que recente, em que eu entrava na net e começavam a chover "ois", fosse pelo "icq", fosse pelo "msn".
Além dos comentários - alguns elaboradíssimos - que eu encontrava no meu segundo blog (é, estou no quarto agora).
Hoje mudou.
As pessoas ficam lá e eu aqui.
Estranho este afastamento.
Será que mudei?
Ou só me tornei uma figura um tanto ética demais, que acabo afastando as pessoas?
Ao final, concluo rapidamente que nunca tive muito tino para o convívio mesmo, e que aquela fase foi uma excrescência, nada mais.
É isso aí.
R.
enviada por ricardo



01/04/2006 17:56
"walter, o digo"

A nina comenta o último texto publicado e me faz colocar mais um post-retrato sobre a tela: agora sobre o walter cruz, o rodrigo.
Cara, que saudades desse cara!
Lembro que a primeira vez que o li/conheci - visto que ler o walter é, inapelavelmente, entrar dentro dele -, imprimi todos os textos do blog.
Que riqueza, que memória, que articulação...
Depois veio o contato via e-mail, e, finalmente, os contatos via messenger.
Ah, eram dias quase que inteiros trocando impressões, memórias, projetos.
E fico feliz porque o maior deles ele realizou ao mudar para Brasília.
Como a gente dizia: o verbo se fez carne!
Até a próxima,
Ricardo.
enviada por ricardo



26/03/2006 01:11
nina

Pois é, a nina é vc mesmo, nina.
Sei que eu poderia esclarecer via coments, mas decidi publicar.
Aí fica como se fosse um porta-retrato no meu blog.
Aliás, porta-retratos são itens que eu deveria usar mais.
Até tenho um no meu z22, no qual sempre dou uma espiadela quando começo a me preocupar mais do que devo com coisas que não deveria fazer, ou então, quando não encontro forças pra me preocupar com estas mesmas coisas.
Explico: no meu z22 tenho umas fotos das minhas meninas. E sempre olho pra elas pra me motivar ou pra me segurar.
Tem gente que vai dizer que isso é careta, etc etc etc.
Mas eu tenho um amor por elas que não cabe, definitivamente, dentro de mim.
Beijo pra todos, Claire em especial.
Ricardo.
enviada por ricardo



20/03/2006 18:30
Vivos!

Toda vez que recebo mensagens do Ricardo, da Claire ou da Nina me dá uma sensação estranhíssima.
É como se eu saísse de um estado de torpor, de repouso, de suspensão e fosse trazido à vida novamente.
Existem, portanto, duas:
1. a minha, doméstica, que curto demais;
2. esta outra, que parte de mim às vezes esquece que já viveu e leva o susto que escrevi.
Ah!
E tem aquela outra na qual o susto vai ser maior ainda (acredito piamente), que trata do que Paulo escreve ao falar que se vivemos focados só nesta somos os mais infelizes de todos...
Nossa quanta vida!
Ao final, certamente, minha falta de ansiedade pelas coisas é que faz com que muito passe sem o sabor devido.
Obrigado, de qq forma, pelo tempero de todos vocês.
Beijabraço,
Ricardo.
enviada por ricardo



06/03/2006 22:54
Difícil é viver

Nova procura:
Olhares somados a perguntas que jamais serão verbalizadas.
E ficamos ali: estudos...
Quebro o gelo e falo de conselhos.
Do que é às vezes certo e do que é muito errado.
Novo silêncio e finalmente eu realizo que o título se impõe:
A velha saída.
enviada por ricardo



04/03/2006 18:59
Da vontade de ficar sozinho, e da vontade de ter alguém. Vai entender...

Ligo o note e logo aciono o msn.
Busco alguém (ou alguéns, se é q isso existe).
Mas busco pra quê?
Sei lá eu...
Tenho tanta gente.
Gente que eu vejo todo dia.
Gente que eu prometo que vou ver sem falta e não visito.
Mas por algum tempo eu fico assim: procurando alguém.
E daí, como quem procura a si mesmo, eu escrevo aqui.
E me conforto, de alguma maneira estranha.
Como se fosse um registro daqueles caras que ficam perdidos nas ilhas, depois de naufrágios.
Registro do dia que se vai e do que logo irá nascer.
Registros.
Nada mais.
enviada por ricardo



26/12/2005 23:56
ed, o motta

Aproveito o q tvz seja o last mail do ano pra indicar o www.edmotta.com.br.
Pessoas: Indis-pensável!
Navegue, xerete, opine, e, principalmente, seja lavado pelo repertório incomum deste artista idem.
Boas Festas pra todos!
Ricardo, feliz da vida, ainda q numa crise de cálculos renais...

enviada por ricardo



03/10/2005 17:18
"Cinzas do Norte", de Milton Hatoum

Terminei de ler ontem.
Dos que conheço na literatura nacional - ainda vivos-, Hatoum é de longe o melhor.
Vejo concatenação entre os três de sua lavra: "Relato de um certo Oriente", "Dois Irmãos" e agora, "Cinzas do Norte".
O que não implica que a leitura de um dependa do outro.
Mas se puder fazê-lo, faça.
Vale a pena viver pra ler livros como os do manauara.
Levo e levarei os personagens pra toda vida. Na verdade, viraram meus amigos. Estão ali, na estante, aguardando pra me contar a história de suas vidas.
Obrigado Hatoum, pelas companhias.
Ricardo, 03.10.05.
enviada por ricardo



15/09/2005 17:36
"face a face"

Claire comenta dois posts abaixo: "Não sei o motivo, só sei q é assim.", e eu, de pronto, lembro de Paulo, a dizer: "agora vemos como que em espelho, mas então veremos face a face".

/../

"alteridade vs. austeridade"

Tentemos sempre pensar que as pessoas têm filhos, desejos, paixões, medos - muitos medos, aliás.
Tal vigilância traria muita paz às relações.
O nome disto: tolerância.


/../

"Relato de bordo"
Estou sem igreja.
E saibam:
Sinto-me aliviado.
O desejo da volta era na verdade um desejo maior de não estar em lugar algum.


enviada por ricardo



12/09/2005 17:30
escreviver

r. diz q qdo reduz a termo o q lhe passa pela cabeça, as coisas, então, passam a fazer e ter sentido.
é como se a partir de então - seja do traço q vai se desenhando no papel, ou mais apropriadamente dos caracteres que vão sendo lançados na tela - , a realidade, como num quebra-cabeça, fosse aos poucos tomando forma e cor.
pois bem.
é verdade isso.
verdade verdadeira.
e é verdade também que, via de regra, o traço de ontem nunca significa o que era no dia do seu nascimento.
daí vem a questão da história.
história nossa de cada dia.
de vida.
de morte.
de alegria e de dor.
então r. fala de fotos, vidros, postais.
e delas, as dores, também.
e elas, de fato, sempre estão por aí: só mudam os instantâneos, os cenários e afins.
como num giro espiralado.
e lembro, então, do poeta que fala das navegações.
e lembro tbm de um texto do caio - lindo texto - onde ele fala do seu sonho de ser o próprio mar.
navego, entao, em lembranças que vão tão longe quanto possível, dentro de mim.
e sofro.
e rio.
e carrego tudo.
pra outra estação.
pra outro caio.
o fernando, e seu trem: inexorável.
qual é tua bagagem, enfim?

ricardo, setembro de 2005.
enviada por ricardo



05/09/2005 17:40
15 minutos

Há uma canção dos "The Smiths" que fala algo como ser possível transformar toda uma existência em 15 minutos. Pelo menos é assim - com estes ouvidos sedentos -, que eu a escutava, deitado no escuro da minha solitude juvenil.
As vezes eu acredito nisso. Que em 15 minutos, 15 passos, 15 qualquer coisa, a gente pode mudar tudo. Mas (e tem sempre um mas), eu volto pra dizer que descobri que posso dar 15 voltas ao redor do mundo e não mudar nada do que vale. E o que vale é o que carrego: eu, euzinho mesmo, bem aqui: dentro de mim.
Assim, o que procuro está bem lá dentro. Dentro mesmo. Imagine aqueles potes de balas que quando crianças a gente esticava o braço, esticava, esticava, mas não pegava nada. Imagem pobre, mas diz o que é: ansiedade, impotência, desespero até, mas por uma bala, afinal.
Então alguém poderia gritar lá do fundo do teatro: "vira o pote, pô!".
Mas eu quero um encontro, não uma inversão.
Tenho lido por indicação do Caio Fábio "A trilha menos percorrida" (Morgan Peck). Lá tá escrito assim: "Na vida a gente vive e morre várias vezes. São muitas as vidas e inúmeras as mortes."
Ah! como tenho morrido nestes dias todos, repletos de coisas a fazer.
Daí eu coloco a música pra tocar na minha cabeça e me pergunto: até quando, meu Deus?
...
Obrigado por todos que continuaram vindo aqui. Rubem Alves (visite o site) diz que Deus está na beleza; na saudade; numa canção que a gente escuta, sabe que vai terminar, e depois fica com ela, como se fosse nossa, só nossa, de mais ninguém.
E eu penso que Deus pode ser isso também.
Pode sim.
Um beijo pra todos,
Ricardo.

enviada por ricardo



30/03/2005 09:31
Não é com o meio, não é com vocês, é comigo mesmo.

Estive com o Ricardo I. dias atrás e ele me cobrou (ele vai dizer que não cobrou, eu sei), uma satisfação do porquê eu ter sumido daqui.
Falou sobre consideração aos leitores.
Concordei e concordo em tudo.
Daí eu explico aqui o que falei pra ele: houve uma mudança muito profunda na minha vida desde que parei de publicar aqui.
E neste novo percurso muitas coisas ficaram sem cor, inclusive o blog.
Portanto não é nada com ninguém, muito menos com o 'meio'. É comigo mesmo.
Essa é toda a verdade.
Sem mais, nem menos.
Beijo Claire!

enviada por ricardo



25/01/2005 13:43
"desvirgular"

pedem em uníssono que ele aguarde.
falta o pai.
não demora e ele aparece penteado nos seus sapatos gastos.
perfilam-se.
flash!
passou-se um bom tempo.
“quantos mesmo?”
não sabe.
“seriam felizes?”
idem.
toma da bengala para guardar aquelas lembranças amaduradas.
desce e percorre o caminho até a despensa.
num jogo ininterrupto de claros e escuros chega até seu destino.
abre o fecho e enterra tudo no seu devido lugar.
volta para a sala de estar e liga aquele troço comprado à prestação.
desafiando o tique-taque pendular é iniciado o zumbido.
acessa a sala sob a alcunha de “menina ardente procura”.
sem demora escorre pela tela aquele repertório mais que conhecido.
inflama alguns.
outros despreza.
dá corda até certa hora e sai.
sem despedidas.
impaciência.
tira tudo da tomada.
toca o telefone.
sabe que é a neta.
não atende.
lembra dos remédios.
na cozinha pega as cápsulas e engole de uma só vez.
água da torneira.
já no quarto percebe vozes.
procura avidamente seu olho mágico auricular.
recosta o copo com a borda ainda molhada no lugar de sempre.
tenta decifrar a discussão.
fica ali um bom tempo até sentir as batidas da cabeceira na sua parede.
deita-se colocando os dentes sobre o criado-mudo.
embalada por aquele batuque sincronizado fecha os olhos.
dorme esboçando um sorriso banguela de satisfação.
noutro dia é a primeira a chegar.
o robusto portão ainda está fechado.
“preguiçoso!”
bate com a ponta da bengala até abrirem.
sem cumprimentos é iniciado o expediente.
toma seu lugar.
confessa tudo.
principalmente o que não houve.
o de sempre: um pai-nosso e outra ave-maria.
custa a dobrar os joelhos.
doem-lhe as juntas.
todas elas.
meia-hora e consegue levantar.
volta para casa ofegante.
“está quase na hora...”

ricardo neves, setembro de 2002
enviada por ricardo



14/01/2005 16:24
Cacos

Se fosse um dia fazer um filme, dirigiria algo que começa com um cara deitado em cima de seus cacos.
Assim, certo dia – quando começa o filme – ele determina que vai reconstruir sua historia daqueles pedaços – bons ou maus - jogados na sala de estar.
Isso me leva a dizer pra vocês que nada vai começar sem a reconstrução. E talvez nada vai se realizar a partir de coisas novas, mas a partir do que já temos: os cacos.
E assim como naqueles brinquedos antigos, dos nossos cacos podem surgir alegrias, como um caleidoscópio (pra mudar o tom das coisas esmaecidas pela rotina) ou uma pipa (pra elevar nossos humores solapados pelo cotidiano das nossas tristezas).
Sem muita filosofia – barata, eu sei – ou alguma literatura – tão mequetrefe que nem precisa mencionar – eu diria em resumo que a gente precisa viver. Mas viver a partir do que a gente tem, pois, nunca é demais avisar que o amanhã, talvez, não baste pro dia chamado hoje.
Há vida enquanto existe vida.
Melhor ou pior, depende da reconstrução talvez.
O importante é sair do piloto automático e reunir, ainda que sejam os cacos da nossa história.
Quem dá mais?

enviada por ricardo



04/01/2005 10:56
Colo

Pego o telefone e ligo pra casa.
Quero falar com minhas filhas.
Saber como estão. Se já tomaram o têtê, se estão abrigadas. Estas coisas.
Mas ninguém atende o telefone.
A babá deve estar dando banho nelas, ou algo assim.
E bate aquela saudade...
Aquela sensação de que eu sem elas não sou ninguém.
E choro por dentro.
Choro ao saber que logo elas irão tecer outros relacionamentos e eu não as terei para mim.
É a vida.
Lembro então da Bíblia e desta perspectiva começo a entender Deus.
E decido voltar pra casa mais cedo.
E chorar junto com Ele, mimando e sendo mimado, tudo em todos no colo.
enviada por ricardo



21/12/2004 11:51
A leveza das coisas que valem a pena.

Navego e dou de cara com uma citação do Caio Fernando Abreu, no blog do Ricardo [http://www.livejournal.com/users/khi/]
Diz tanta coisa...
E eu faço um link rápido, mas preciso, com Mateus 19.
Tudo é uma coisa só.
Echad, como me ensinou o Walter [www.waltercruz.com] ontem.

--/--

A citação:


“O trem chega e pára. Na plataforma você começa a tentar colocar as bagagens dentro dele. Mas elas não saem do chão. O trem apita, o trem vai partir. Você percebe que não pode levar nada além de você mesmo. E entra no trem. Mas isso que você tenta fazer entrar no trem, e que é o seu corpo, também não pode entrar. Então você o deixa, deixa o vulto que entrevejo jogado na estação junto com as bagagens. O trem então parte levando de você algo que nem você nem eu sequer conseguimos entrever. Outra coisa, talvez nada, porque nada podemos garantir ter visto partir dentro do trem.
Você não grita nem acorda. Não há terror, mesmo sendo aterrorizante: é assim que é. E pior ainda, não se trata de um sonho. Começa a amanhecer. Ou a anoitecer. Ninguém sabe quando passa o trem. Nem para onde vai. E não se leva nada. Isso é tudo que sabemos.”
[Caio Fernando Abreu]

--/--

Mateus 19, verso 16 em diante:


"E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se? E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível. Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos? E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna. Porém, muitos primeiros serão os derradeiros, e muitos derradeiros serão os primeiros." [Deus]

--/--


Pense nisso.
Leia Mateus 19.
E liberte-se do que não vale a pena.
Eu estou tentando, ainda que as pessoas coloquem a cada dia mais e mais coisas pra eu carregar.

Ricardo, o Neves de Souza.

enviada por ricardo



16/12/2004 11:27
Uma chuva de Anas Luizas...

Sábado, 11 de dezembro de 2004, fomos (eu, Denise, Cléo e Emerson) à Conferência Paixão, Fogo e Glória do Ministério de Louvor e Adoração do Pastor David Quinlan na Igreja Bíblica da Paz em São Paulo.
E Deus me concedeu uma visão maravilhosa do Seu amor.
Jeremiah Bowser, que também estava lá, ministrou o quão poderosa é a relação entre o Amor de Deus e o nosso amor. Explico: Jeremiah esclareceu que Deus nos ama a todo tempo e nós, quando o adoramos, devolvemos nosso amor a Ele. E que desta equação - o Amor de Deus descendo sobre nós e o nosso amor subindo até Ele em adoração - nasce uma aliança poderosíssima.
Bom, eu ouvi esta ministração do Jeremiah e comecei a pedir a Deus que me fizesse compreender em que medida é este amor Dele por mim.
Foi quando o Espírito Santo me trouxe à memória a imagem da minha filhinha Ana Luiza, no seu vestidinho verde limão correndo pela garagem lá de casa toda vez que eu chego do trabalho.
Ela vem toda sorrisos, toda alegria, por me ver, por simplesmente eu estar ali.
E Deus me disse claramente: é este o meu amor por você.
Então eu levantei meus braços – na verdade é como se eu já não estivesse mais ali na Bíblica, mas em outro lugar, sem chão, sem teto, sem nada ao redor a não ser Deus me abraçando – e Deus fez com que começasse a chover uma porção de Anas Luizas sobre mim.
Uma chuva linda, maravilhosa de Anas Luizas derramando seu amor em e por mim.
Inefável. Extravagante. Sobrenatural.
Obrigado Senhor pelo seu Amor.
Obrigado Jeremiah, pelo seu tempo dedicado a mim.
Obrigado David, pelo seu abraço e pela sua atenção.
Amo todos vocês.

Ricardo.
enviada por ricardo



15/12/2004 12:21
Crazy da Silva Sauro
Chama o Val!


Gente! Gente! Gente!
Acontece que eu comprei um carro novo.
Não, não é zero!
Mas ele tá me deixando zero na conta! (risos)
E eu tô ficando que nem o título: Louco da Vida!
Mas aí, e é isto que eu quero compartilhar com vocês, eu fui chorar minhas pitangas pra uma amiga do msn. E, pasmém!
Ela tá pior do que eu!
E aí eu vi que o céu é mais em cima (digo isto porque desde que me converti não gosto da frase que diz: o buraco é mais embaixo).
E o post é isso mesmo: um desabafo:
Da minha nerdice - qualidade de nerd que não manja nada das coisas práticas da vida.
Da conclusão mais que óbvia de que eu sou o pior advogado da face da Terra: vê só: eu não consigo defender nem a mim mesmo.
E de que só a Denise mesmo pra me aguentar. Eu e minhas... hum... até que uma palavrinha de baixo calão ira cair bem aqui... ah, vou dizer: eu e minhas cagadas!
Pronto disse: cagadas!
Por isso e por tudo o mais que eu disse desde o início pra ela: chama o nosso cunhado Val. Ele é quem sabe comprar as coisas. Chama o Val. E bem que o título do post podia ser este: Chama o Val!
Vou lá mudar.
Fui!
Ricardo, o babaca da semana direto da concessionária.
enviada por ricardo



14/12/2004 09:05
Denise e o olhar que me cativou, pra sempre...

Tínhamos ido ao zoológico. Eu, Denise (à época minha namorada) e alguns sobrinhos.
Idéia dela, pois jamais um passeio destes poderia sair da minha cabeça-dinossauro. Ela preparou os lanches, embarcou as crianças – à época eram todos crianças... – no nosso Passat vermelho e fomos, felizes e cheios de energia, para o passeio.
Mas o momento que quero registrar é aquele em que, feito o passeio pelo zôo, decidimos levar as crianças para ver os aviões subindo e descendo em Congonhas (é, nós paulistas gostamos deste tipo de passeio...). Voltamos então ao carro lá no estacionamento. A Deni pediu a chave e foi correndo na frente. Naquele momento todos já tínhamos lanchado, menos a Deni, que até então tinha se preocupado em servir a todos, sem exceção.
Foi então que eu, chegando no carro, coloquei a cabeça pra dentro da janela e disse: “Vamos?”. E então eu a vi ali, dentro do carro, comendo e pedindo com a mão estendida um pouquinho de paciência...
Confesso que meu coração doeu naquela hora. Dor que veio de um misto de vergonha – pela minha ignorância latente – e principalmente por ver ali, naquele momento, que a menina com quem eu até então me relacionava era sim uma pessoa que anima todo mundo pra se divertir, que cuida de todos, mas que também comia, respirava, vivia e precisava se cuidar...
Vocês entendem isso?
Em suma: naquele dia eu vi nos olhos da Deni que ela era a mulher da minha vida.
Ali, naquele momento de fragilidade – observar alguém comendo quase sempre me dá esta dimensão de como somos pequenos – eu decidi que ia casar e cuidar dela.
E hoje, passados mais de 13 anos daquele dia, estamos assim: casados. E felizes.
Eu, Deni e nossas duas filhinhas amadas: Isa e Ana.
E ela, Denise, continua a cuidar de todos nós.
Te amo Denise, meu amor.

Ricardo, aquele garoto que aprendeu a ser homem e a te amar.

enviada por ricardo



07/12/2004 16:27
Coisa minha

A coisa que mais assusta num assassino é seu olhar esgazeado.
Olhar de quem está, ao contrário do que se pensa, dentro de si.
Totalmente imerso, loucamente mergulhado na sua ira, no seu pavor.
Doutra parte, a coisa que mais assusta também é o olhar oculto.
Aquele que não se revela. Que está, mas ao mesmo tempo não veio.
Totalmente imerso, loucamente mergulhado, no seu torpor, na sua ignorância.
E é assim, talvez, de olhar em olhar, que a gente vai construindo relacionamentos.
E destruindo tantos outros.
Seguindo, ordinariamente, entre um e o outro, como numa célula.

//-//

Célula

Alguém me pergunta nos comentários do último post se sou líder de célula.
A resposta é ainda não.
Ou melhor: já fui.
Agora estou em stand-by.
Pra quem não sabe o que vem a ser a tal da célula eu explico, resumidamente, que é um local de relacionamento, de busca.
Tão em falta nos dias de hoje.
Inclusive dentro de algumas pretensas células, é bom se dizer.
Mas vale a intenção.

//-//

Intenção

E por falar em intenção, reproduzo algo que vem sendo dito no púlpito da igreja onde congrego:
“Há que se cuidar o coração para que não se perca a motivação correta das coisas”.
Motivação equivocada conduz a desastres incomensuráveis.
Sei que sôo apocalíptico agora...
Mas é a verdade.
Não só a verdade religiosa, mas de toda uma vida.
Reavalie-se.
Antes que seja tarde.

enviada por ricardo



03/12/2004 09:27
Um poema

Saudade

...
zigue-zagues em demasia
medos em excesso
vozes que gritam, sem nada dizer
mas que, agora, despedem-se
no calor do sempre
no ouvir do nunca
no adeus do que não foi
....


Ricardo Neves, inverno de 2002.

//--//

Uma canção, sublime canção

Cecília

Quantos artistas
Entoam baladas
Para suas amadas
Com grandes orquestras
Como os invejo
Como os admiro
Eu, que te vejo
E nem quase respiro

Quantos poetas
Românticos, prosas
Exaltam suas musas
Com todas as letras
Eu te murmuro
Eu te suspiro
Eu, que soletro
Teu nome no escuro


Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas


Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve
Tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem, Cecília, teu nome
Espalhar por aí
Como tantos poetas
Tantos cantores
Tantas Cecílias
Com mil refletores
Eu, que não digo
Mas ardo de desejo
Te olho
Te guardo
Te sigo
Te vejo dormir

[Luíz Cláudio Ramos - Chico Buarque, 1998]

//--//

Um só, múltiplo amor
enviada por ricardo



25/11/2004 09:50
Guerreiras

Ontem no oftalmologista, enquanto esperava a mocinha da recepção terminar de checar meus dados com o Convênio Médico, eu tomava um copo d’água e observava as quatro atendentes.
Bonitas? Não exatamente. Normais. Sem aquela simetria de lábios, olhos etc que em dias atuais a gente costuma considerar como belo – sabemos que esta equação já foi diferente em outras épocas.
Mas eu fiquei ali observando as quatro. Seus jeitos. Suas ações. Seus olhares: ora de uma para a outra, ora para as telas dos computadores onde avidamente digitavam sei lá o que.
E concluí: mulher é guerreira mesmo.
As quatro ali, digitando, atendendo telefones, distribuindo sorrisos e ainda assim pensando e falando em seus homens, na decoração da recepção para o Natal, na loja com promoção de roupas para os filhos e das unhas...
Nós, homens, definitivamente não somos assim.
Homem gosta de ser chamado de centrado, mas ele é mesmo limitado.
Fiquei pensando: as meninas do balcão levantam cedo, fazem a comida pra levar nos potes plásticos – duvide-o-dó que aquele consultório tão bonito forneça vales-refeição -, as que são mães levam seus filhos até a creche, depois vão para o trabalho, e ainda assim acham tempo para se preocupar com as unhas, com o cabelo e com seus homens...
E nós, homens?
Fazemos uma coisa da lista e já nos sentimos como aquele antepassado que saía pra caçar e por isso tinha que ser respeitado na tribo. Besteira.
Quer saber: se homem diz que mata um leão por dia, mulher mata o zoológico inteiro. E tudo sem perder a graça, a magia, a beleza.
Parabéns Denise, minha esposa.
Parabéns, mulheres.
Com amor.

Ricardo, que vem aprendendo a lavar a louça sem se achar importante demais pra isso.

enviada por ricardo



21/11/2004 07:21
Publiquei originalmente este post dentro do último post, mas desde então ele tem me pedido pra virar post, que é o que ocorre agora, afinal, ele é:

"Amado"

Certa vez uma pessoa me chamou de "amado".
Olhou nos meus olhos e disse: "amado".
Eu nunca tinha ouvido isso.
Eu nunca tinha vivido aquilo.
E a pessoa me disse: "amado".
Sabe, esta é uma coisa que as circunstâncias, a vida, o que seja, não vão me roubar.
Eu guardei e carrego comigo.
Cuido dessa lembrança.
Alimento, como agora.
Falo disso porque tem coisas que a gente até não quer que a vida leve, mas vai deixando de canto. Esquece. Descuida.
E pode até ser que a vida não leve, não engula, mas a coisa volta sem aquele brilho das que são amadas.
Cuide do que é seu.
Afinal, é seu.
De mais ninguém.

"Amado"...
Ainda ouço.
Ainda vejo.
E quando fico triste, revivo, rememoro.
E sigo em frente.

Ricardo (em 19.11.04, depois de ler um comentário da Regina e pensar: "Ela me chamou de querido. Olha que legal!!!")
enviada por ricardo



19/11/2004 11:33
O medo, as represas e as cidades.

Observo duas pessoas pela janela.
Seus olhos, gestos, intenções.
E concluo: o ser humano me dá medo.
Pois é. Ontem eu assistia ao Jornal da Globo (coisa que nunca faço: assistir tv) e fui tomado também por esta estranheza.
Esta sensação de que eu não me incluo no que o mundo tem pra me dar.
Ou seria eu que não tenho nada pra dar a ele?
O que sei é que o medo está aqui, na minha cabeça, alma, tudo.
Medo do que minhas filhas vão ter de enfrentar.
Medo do que eu tenho que enfrentar daqui pra frente, agora que me descubro assim: deslocado.
Medo.
A cura para isso talvez esteja no que vi depois do Jornal da Globo: uma poetisa/filósofa/atriz que recitou versos lindos, mágicos, no Programa do Jô.
Num deles ela disse algo como as doenças serem poemas represados. Daí porque eu posso acreditar que ao escrever aqui - para mim e para vocês - eu esteja me curando, me tratando deste medo, que eu sei, pode me e nos matar.
Não, não pense em morte física. Essa de velório e caixão. Pense na morte do ser sociável. Do ser que interage com o outro, nas ruas, nas cidades (o Ricardo sabe do que falo, mais do que ninguém que conheço).
Então me ancoro na prece que diz: “que o amor nos fortaleça”.
E completo: que a poesia nos resgate.
Esta a palavra: redenção.
Catarse também serve.
Culpa não. Esta, como disse a poetisa (alguém sabe o nome dela?), é daquelas que mancham tudo ao redor.
E eu quero sem máculas, este meu breve mas inusitado viver.
E nesta de poetizar a vivência eu penso em vocês: meus amados.
Muitos não têm um rosto pra mim. São como as poesias que escrevo na minha cabeça. Letras que dançam num sussurrar tão tênue que o papel nunca irá conhecer.
Outros, que conheço capa e algo do conteúdo, são como os livros que amo: nunca canso de ler. Sempre há aqui e ali uma descoberta.
Vieram as linhas e eu percebo que o medo ainda ruge, mas ao longe.
Façamos um trato, então: Poetize, e faça viver!


Ricardo, levando os pensamentos pra passear nesta quieta manhã de sexta-feira.



//..//

Quero deixar registrada minha gratidão por todos que comentaram o último post.
Prefiro não desfilar nomes, pois seria inviável retribuir o carinho sem escrever muitas e muitas linhas. E todos mereceriam cada uma delas. A razão da minha ausência? Uma forte dor de cabeça que me incapacitou por longos dias. A razão da minha volta? Vocês.
Força sempre!
E escrevam, comentem, poetizem.
Quero cada vez mais ser apenas um canal, as águas virão de vocês.

enviada por ricardo



09/11/2004 17:27
Nunca te vi, sempre te amei.

Esse é um filme que eu amo.
Amo mesmo, de paixão.
Quando estive a última vez em Londres com o Imaeda, fiz questão de visitar Charing Cross.
Foi tudo muito rápido, mas eu quis conferir algumas livrarias e sentir meio que o perfume de tudo aquilo lá.
Sentir que uma parte da minha vida poderia sim se encaixar n´alguma ficção tão cara pra mim.
Então tem dias que eu pego minha máquina de escrever portátil e começo a teclar alguma carta.
Pra quem? Ora, pra alguém que sabe de quem estou falando, como neste post agora.
Alguém que sabe que eu nunca vi, mas sempre amei.
Amei porque amo a mim mesmo.
Amo esta parte deliciosa de mim que curte Charing Cross.
Amo esta parte de mim que me faz viver.
Que me estimula a continuar amando, mesmo sem nunca ter visto...

../..

Anotações de leitura


"Em tudo que tem valor, até mesmo em cada prazer, há uma pitada de dor ou de tédio que deve sobreviver para que o prazer reviva e prevaleça. A alegria da batalha vem depois do primeiro momento de medo da morte; a alegria de ler Virgílio vem depois do aborrecimento de aprendê-lo; o calor do banhista vem depois do choque gelado da água do mar, e o sucesso do casamento vem depois do fracasso da lua-de-mel." [G. K. Chesterton]

../..


Os comentários...


Não há nada mais gratificante pra alguém que tenha um blog do que os comentários.
São eles que nos animam a continuar escrevendo. A continuar devassando nossos continentes.
Mas esta semana eu descobri que os comentários podem mais.
O quê?
Ah, isso eu conto num post dedicado & delicado, como toda relação de amizade deve ser.
Um conselho:
Seja delicado com seus amigos.
Dedicado também.
Afinal, o maior bem que você pode conferir a alguém é seu tempo. O resto, é resto.
Eu costumo reservar minha melhor hora para vir aqui e escrever pra mim e pra vocês.
Nem sempre sai o melhor.
Mas é o que tenho.
E lhes entrego:
Com dedicação e delicadeza.
Como naquela música do Chico, que fala do tempo que importa: o tempo da delicadeza.

Sejamos!

Beijo pra todos!

Ricardo.
enviada por ricardo



08/11/2004 10:18
Eu e a Baleia.
[Além de mim!]


Explico logo de início que este não é um post de crítica literária.
E isto por duas impossibilidades:
A primeira de eu não ser suficientemente capaz de formular alguma fortuna crítica.
A segunda de eu não ser um literato.
Bom, sigamos então.
Eu me identifico com ela, a cadela Baleia.
Está lá, nas páginas de Graciliano: sua singularidade, melancolia até.
Ela percebe que o mundo pode ser mais do que aquilo que a seca apresenta.
Ela percebe que Fabiano é mais do que aquela junção cavalo-homem-cavalo.
Ela percebe que o amarelo pode representar outra coisa, e não sempre o oposto.
E ela morre.
Mas Baleia é mais do que eu.
Baleia tem o olhar faminto que expressa tudo, mesmo sem as letras.
Eu tenho as letras, me falta o olhar.

...

A Cris do novohomem cita Magnólia. E eu lembro da chuva de sapos. Anda chovendo na tua horta?

...

Esfriamento.
Atritos.
Ainda que uma fase, a vida fica mais difícil assim.
Procuro a tecla ff, mas só descubro o slow-motion.

...

Certa vez escrevi pra uma pessoa:
"Não, eu não comerei desta sopa de espinhos..."
Engasgo com eles, agora.

...

Olho pela janela do escritório.
E descubro que a vida continua.
Apesar de mim.
Apesar, não: Além de mim!.
Obrigado pelo carinho, Regina, minha mais que amada.

enviada por ricardo



05/11/2004 16:46
"Negamor?"

“Não ter de anular tantas partes minhas pra poder manter uma conversa pacífica com alguém. É isso.” (Claire)

Ontem eu falava com minha esposa sobre um certo casal – eu criticava na verdade algumas posturas intransigentes de um deles –, e depois de ouvir tudo com aquela paciência que só ela tem, a Deni resumiu: “Ele a suporta porque ama”.
E a resposta me veio como um golpe, um soco na minha falta de afeto. Foi uma pancada bem dada no meu egocentrismo exacerbado. No meu solipsismo sem fim.

Mas hoje eu vim pra cá – onde escrevo pra vocês e pra mim – e me deparei com a frase da Claire.
Fiz uma junção esquisita.
Lancei os dados, e me perguntei: “Amor implica em anulação?”
Sim e não foi a resposta.
Mas sobre ser justo eu ainda não consegui clarear.

--//--

Ontem também, por coincidência, fomos jantar e depois ao cinema – lá no Villa-Lobos, que aprecio bastante. Vimos “A dona da história”. E demos, eu e a Deni, sonoras gargalhadas das nossas manias tão bem registradas na tela.
Marieta faz valer a pena o ingresso.
Mas se você não é ou já foi casado, muito do filme se perde.
Tem coisas que só o tempo pode demonstrar.
Mas cada coisa tem o seu tempo, óbvio.
O que nos mata é a ansiedade.
Ou a falta dela.
Mas se somos a própria, implicaria dizer que o que nos mata somos nós mesmos, então?

--//--

Hoje aqui no trabalho falávamos sobre nossas férias de antigamente.
Sobre ir pra Praia Grande em excursão.
Acordar de madrugada (na verdade a gente nem dormia).
Arrumar a mochila.
O lanche de pão pulmann cortado em “v”.
Pegar o ônibus e ir naquele clima de tesão.
Tesão pelo sol.
Tesão pela bola.
Tesão pelo sair de casa.
Tesão pelo ver a menina da escola em trajes menores.
Tesão pelo viver.
Depois a gente voltava (vez ou outra com um banco desfalcado por alguém que o mar engolira).
E a semana passava: em recordações. Tiração de sarro. E tudo o mais.
Alguém falou em protetor solar? Ah! Esquece! A gente não tinha destes bichos.
E a gente era feliz.
Mas cada tesão tem sua época.
Ou não?


--//--

Gente amada.
Gente amiga.
Desejo um ótimo final de semana.
E como diz o Salomão da Cultura FM: Bom dia e seja feliz!
Viva o seu tesão do agora, já.
Cada um tem o seu.

Ricardo.
enviada por ricardo



04/11/2004 09:35
Fale com ela, Almodóvar

Existem filmes, como esse, que ficam na memória. Que ficam dentro da cabeça da gente pulando pra lá e pra cá. Filmes que vão se revelando aos poucos como uma mulher que dança flamenco. Amo mulheres dançando flamenco: energia, sedução: o escarlate que tanto faz falta nas nossas vidas bestas.
Lembro que o personagem se chama Benigno, e ele sofre.
Sofre porque não é reconhecido pelo outro.
Ah, o outro...
Camus e seu “Estrangeiro”: condenado porque não teve emoções alinhavadas ao senso comum.
Suas emoções são comuns?
Há quanto tempo você não se apaixona?

Viva, fareje, busque baby...

Comentários

Teve época, meio que recente, em que eu mantinha um blog até que disputado. Eu escrevia minhas neuras lá em forma de verso e prosa. Mais prosa do que verso. Os contos vinham de partos difíceis. Doloridos. Mas amados.
E eu sumi com tudo.
Ctrl + Alt + Del.
Deletei.
Quis esquecer.
Mas ainda guardo os comentários.
Ainda guardo as paixões.
Ainda guardo aquilo que de lá me fez ser o que sou.
O que você guarda aí, dentro de você?

Autocontrole

Acho que tá lá em Romanos ou por ali perto a exortação de Paulo, o apóstolo, de que devemos buscar o domínio das nossas emoções. Não explodir. Não fazer cagada, pra ser mais direto.
Ah! Como é difícil!
A maturidade bem que poderia ter me trazido isso.
Arrisco dizer que ela até já trouxe – embrulhada em pacote adornado e tudo -, eu é que na minha mania de não querer ser “robotizado”, acabo refutando as lições de domínio.
Domínio e sexo, combinam?
Sexo. Quatro letras. Tanto pano pra manga...


Amanhã falo sobre uma menina chata. Hoje não.

Beijabraços coletivos.

Ricardo, o Neves.

enviada por ricardo



03/11/2004 09:29
Escreva!

Olá people!
Muita gente nova no pedaço.
Muito povo vindo do Walter.
E os amados de sempre, guardados na gaveta mais afetiva do meu restaurado coração.
Amo todos vocês!

--//--

Fim de semana. Feriado prolongado. Muita coisa acontecendo.
Uma delas foi a visita ontem a um bairro distante na Zona Leste de São Paulo.
Periferia.
Casas sem acabamento.
Gente simples, acolhedora e, pasmem!: feliz!
Parece coisa de colonizador, mas de fato a gente se perde em filigranas quando tem além do que precisa.

--//--

Decidi coisas várias e des-decidi outra porção.
De fato sou um mar.
Quem conhece seu profundo?

--//--

Tenho buscado a singeleza.
Será que ainda dá?
Lembro de um poema bem antigo – pelo menos na minha cabeça ele o é – que dizia lá pelas tantas: “... e o castelo de areia se desmancha antes da primeira onda...”
Foram tempos de tristeza.
Que ainda voltam, mas agora sei dançar.

--//--

Me fale de você.
Beijo,
Ricardo.

PS: uma frase que li e curti demais: "Sim, eu sou cheio do Espírito Santo. Ah, se não fosse o vazamento..."

enviada por ricardo



21/10/2004 16:37
Pensamentos imperfeitos de uma cabeça nem tanto

É engraçado. Às vezes eu fico no Orkut olhando as pessoas. Entro num profile, vejo os amigos daquela pessoa, pulo pra outro profile e assim vai, numa infinidade de rostos, sorrisos, flertes e tal. Eu disse flertes? Sim, eu disse. E é isso mesmo que pessoas como eu ficam fazendo muitas vezes aqui: flertando com a possibilidade de se “aproximar” de pessoas que, não fosse a internet, jamais chegaríamos perto. Não, não porque sejam feias isso ou aquilo. Pelo contrário, porque são muito bonitas, descoladas etc e tal. E isso, na verdade é que é engraçado. A gente sabe que pratica meio que um lance de impessoalidade segura através destes cabos todos, mas fica ao mesmo tempo farejando perfumes, hábitos, anseios, intimidades. Digo mais sobre isso depois. E você, por que vem aqui?

//--//

Os comentários da Regina me deixam envaidecido. Seria eu um poeta? Sei que não. Mas ao mesmo tempo eu considero que muitas vezes é mais legal viver o que o outro pensa de nós do que o que achamos de nós mesmos. A gente é muito duro conosco mesmos, não é? Obrigado, Re (leva circunflexo?).

//--//

Transferência de prazer. Foi assim que o meu “melhor amigo pago” me disse certa vez, quando eu disse que estava meio que perdendo o interesse por uma pessoa. Transferência de prazer. Eu tento, desde então. Mas tem vezes que não há prazer nisso. Ah, o prazer...

//--//

Se eu morresse hoje eu não sei se morreria feliz. Teve época que pensei muito nisso e depois me lembrei de uma frase do Woody Allen: “só não me mato porque iria dar muito trabalho pras pessoas me enterrarem depois...” Foi uma desculpa, mas tomei como verdade.

//--//

Eu não sou culto. Não sou mesmo. E o que me faz emperrar em muita coisa é essa coisa de começar uma coisa ali, outra aqui e não acabar nada. Ontem uma amiga que me conhece bastante perguntou: “E aí, tá lendo muito?” No que eu confirmei. E ela rapidinho: “Mas não é naquele esquema de ler e parar sem terminar já começando outro.” Bidu! Você também é assim? Como mudar?

Beijo pra todos!




enviada por ricardo



20/10/2004 15:59
E você?

Existe algo dentro de mim q pulsa, q arde, q quer explodir.
Existe algo q incomoda.
Existe algo.
Existe.
--//--
Sobrevivemos sem a moral e os bons costumes?
Claro q não.
Então devemos aceita-la?
Aí já é outra história...
--//--
Antonio Candido diz: “Todas as idéias que hoje são tutelares, foram transgressoras no passado.”
Vá se dormir com um barulho destes!
Prefiro minha rotina cômoda e acomodada.
E você?
--//--
Existe.
Existe algo.
Existe algo q incomoda.
Existe algo dentro de mim q pulsa, q arde, q quer explodir.

enviada por ricardo



14/10/2004 16:52
Descortinas

Eu te amo.
É só isso que importa ouvir, sabia?
Mas é tão difícil dizer...
Sei lá, a gente fica tentando criar o clima. A tal oportunidade. Etc, etc, etc...
Besteira!
Eu te amo.
É só dizer assim: como num encanto, num enlevo.
Ou então num sussurro (debaixo dos lençóis?).
Eu já disse isso muito sozinho. Deitado na cama, olhando pra dentro de mim mesmo.
“Eu te amo”.
Soletrando as palavras.
Palavras que revelam um segredo capaz de descortinar toda uma vida. Uma existência.
Eu te amo.
Simples assim, como a vida é e deve ser.
A gente é que complica.

enviada por ricardo



08/10/2004 16:31
Publico dois textos q falaram forte à minh´alma hoje:

O primeiro trata da arte de silenciar... (tão difícil em dias ditos "pentecostais", no pior sentido do termo...):

“Ah, o desperdício de falar, quando há tanta coisa a ouvir de quem não tem nada a dizer. Às vezes somos como o grito de uma serraria, escondendo o solo perfeito de um violino. Só é preciso prestar atenção e ficar em silêncio, para escutar a música que vem do mundo. Nela estão as respostas que procuramos, e nela está a certeza de que todas as perguntas são fúteis quando somos felizes."

Outro sobre o perfume do amor... (também raro nestes dias de cuidados assépticos):

“Um brinquedo, uma roupa, a pequena cama – os objetos que cercam a vida de uma criança conservam a sua energia quando ela se ausenta para ir à escola ou viajar. Há naquelas coisas uma vibração que se percebe no ar. Aqueles que amam costumam também imantar tudo o que tocam, e assim deixam um rastro perfumado por onde passam.

Todos são de autoria de Luiz Carlos Lisboa, que eu descobri com o www.rubemalves.com.br, um dos meus discipuladores, ainda que ele não o saiba.
Afinal, como diz meu amigo Imaeda: "eu não quero ensinar nada, você é quem insiste em querer aprender."

Amo todos vocês, num perfume silencioso, sempre.

Ricardo.
enviada por ricardo



07/10/2004 14:57
Paradoxo

No último post, ao discorrer sobre o amor, eu falei em paradoxo.
E hoje, lendo um livro do Philip Yancey, encontrei uma passagem de Agostinho que expressa de maneira forte e linda o paradoxo que foi o Deus encarnado entre nós.
Olha só que belezura de texto:

“O criador do homem tornou-se homem para que ele, o governante das estrelas, pudesse mamar no peito de sua mãe; para que o Pão pudesse ter fome; a Fonte, sede; para que a Luz dormisse, o Caminho ficasse cansado em sua caminhada; para que a Verdade pudesse ser acusada de falso testemunho, o Mestre fosse açoitado com chicotes, o Fundamento fosse elevado sobre o lenho, a Força enfraquecesse, o Médico fosse ferido; para que a Vida pudesse morrer.”

E eu completo: tudo pelo Amor. Por mim e por você.

Oremos:

"Perdão Pai por tentar muitas vezes entendê-lo. Conhecer-te, mais que servo, como amigo, é tudo o que nos é pedido. Obrigado Senhor, a quem um dia queremos declarar sem sombras n´alma: "Tu és meu maior amor."


Continuem com Deus!

Ricardo.
enviada por ricardo



05/10/2004 10:56
“amar ainda vale a pena, pena que dói”

Amar sempre vale a pena, mesmo porque não temos escolha...
Quem já leu o Evangelho de João, em especial o capítulo 13, vê que o verdadeiro amor é aquele que vai até o fim.
Mas o que é o fim?
Ora, o fim depende de cada um, assim como o começo.
O que pode ser fim para a Regina, pode ser apenas o começo para o Walter, e assim por diante...
Meus amados, não há regras quando se trata de amor. Nem mesmo esta de que sempre dói. Não. O amor é algo que fica ali dentro mexendo, re-mexendo, mesmo quando não sai do lugar. Mesmo quando a gente não o expressa, seja em bocas e línguas, seja em poemas rabiscados na contracapa do caderno ou num blog.
Como diz o Caio Fábio: “É Paradoxo!” E é isso mesmo: um ir e vir desnorteado. Daí porque às vezes dá medo. Daí porque a gente acorda pensando nisso, deita pensando nisso tentando explicar tudo e todos, e, por fim, acaba se perdendo no lusco-fusco. Descansemos. Não há resposta: o amor é, assim como Deus também simplesmente é.
Claro que este monte de coisas que eu escrevo não me satisfaz.
Claro que eu também sou só busca.
Claro que eu também – graças a Deus! – sofro por causa do amor.
E sofro porque muitas vezes o amor depende do outro.
Depende do que ele quer, do que ele vai achar. Enfim: depende de uma espécie de afirmação do que a gente traz aqui dentro (beneplácito seria o nome mais apropriado). E isso machuca. Relacionamento machuca, porque é rua de mão dupla (pelo menos os saudáveis).
Machuca tanto que depois de tudo eu aprendi – ou espero ter aprendido – que as pessoas não são como tomates numa caixa. Não, as pessoas têm sentimentos. As pessoas têm as suas expectativas. E muitas vezes eu é que estou ali do outro lado da linha, comandando mesmo sem saber.
Como já disse alguém: Não há inocentes nesta história. Nem eu nem você.
Amemos minha amada Cris.

Beijabraços amorosos do Ricardo, o Neves.

enviada por ricardo



29/09/2004 14:34
Estações

Voltei!
Retornos: gosto deles. Sinal de que fomos pra algum lugar e, melhor, temos pra onde voltar...
Quê dizer destes dias?
Tanta coisa e ao mesmo tempo fogem as palavras.
O mais importante que tenho a dizer é obrigado.
Principalmente a vocês todos que me escreveram, ou que vieram aqui e não me escreveram.
Sim, às vezes a gente perde o foco.
Na maioria das vezes, entretanto, até pensa que perdeu mas só ajustou a lente pra encontrar lugar melhor.
Melhor não! Apropriado à história do momento.
É isso que posso dizer.
Sendo e dizendo.
Algo aqui vai então diminuindo pra outro ir crescendo.
Não são assim as estações?
Vamos nos permitir apenas ser.
Nada mais e, ao mesmo tempo, tudo isso que é o que somos, por Ele e nEle que também se declarou assim, não foi?

Beijabraços pra todos!
enviada por ricardo



15/09/2004 13:20
O grito

Em dias assim eu queria ser um pássaro. Um bicho qualquer - menos barata, que abomino -, mas um bicho que não pensasse em nada. Um ser assim inóspito, suficiente na sua limitação animal.
Digo isto porque faz três dias que voltei a tomar meu remédio a base de clonazepan, a fim de que eu consiga suportar minha existência.
Tudo veio do nada.
Eu voltava de viagem e minha esposa me deu uma palavra dura - que noutro tempo nem poderia ser dura -, e eu fui esvaziando como aquelas bexigas de festa que depois de cortado o bolo vão ´erdendo a graça.
Tomei 20, depois mais 10, depois mais não sei quantas gotas e agora estou aqui debruçado sobre este teclado pedindo socorro.
A quem?
A mim mesmo, talvez.
É nestas horas, eu mesmo já preguei sobre isto na igreja, que tudo deveria fazer sentido em cristo.
É nestas horas que a gente deveria sentir aquela alegria que os Evangelhos dizem vir do Senhor.
Mas eu não a sinto.
Resta aqui dentro um vazio imenso.
Enorme.
De dar medo.
Seja qual or seu credo - mesmo que nenhum - ore por mim.
Estou mal.

enviada por ricardo



13/09/2004 01:06
"Eu, eu mesmo e ... não, não conheço nenhuma Irene..."

Uma das coisas que considero legal em mim é esse papo de escrever. Eu disse que EU considero legal. Bem, pensando bem você que lê isso agora também, afinal veio até aqui né?
Escrever me faz desinflar. É: desinflar. Claro que tem vezes que não desinfla nada, só inla mais ainda. O que é inflar e correlatos eu explico outro dia, se é que isso vai ser necessário - não tem nada a ver com orgulho, já aviso.
Daí que uma das coisas que eu faço, fora escrever aqui, é escrever pequenos relatos de como foram meus dias.
Não é nada muito organizado. Na verdade é bem fora da ordem mesmo. Eu sou fora da ordem, afinal.
O mais legal, e quem escreve sabe disso, é reler.
É um baratão reler. Eu me surpreendo às vezes.
E é uma destas surpresas que eu publico hoje.
Fiquem com Deus!

--/--

Terça-feira, 18 de maio de 2004

Trilha de hoje de novo a Legião Urbana, “O Livro dos Dias”.
O Renato canta que “todos se afastam quando o mundo está errado. Quando o que temos é um catálogo de erros. Quando precisamos de carinho, força e cuidado.” É verdade. Eu tenho percebido que as pessoas querem síntese, nunca análise.Estou em dias de muita análise, e as pessoas se afastam. Elas querem perguntas e respostas prontas. Pacotes digeridos. Gostos conhecidos. O estranho assusta e afasta. E Deus? Olha, hoje eu orei pedindo que Ele me capacite pra poder levar carinho às pessoas. Para que eu não me afaste quando o mundo delas começar a ficar “errado”, seja com o sistema seja com ela mesmas. Pedi que Deus me capacite para que eu possa dar a elas carinho, força e cuidado. Abracei duas pessoas e declarei meu amor por elas. Uma eu sei e senti que aceitou meu carinho, a outra não. Até tentei com uma terceira, mas como sempre o cotidiano nos afastou. Na canção o Renato suplica atenção. A gente percebe na voz a dor que lhe dilacera a alma. E eu compartilho com ele essa solidão. Que Deus tenha piedade de nós e nos afaste deste cotidiano mesquinho em que mesmo a fé é levada a níveis de competição irracionais. Que possamos preservar nossa alegria e possamos a cada dia pedir ao Pai que sejamos transformados em instrumentos de sua paz, única e exclusivamente de sua paz. O resto é resto, acredite.


enviada por ricardo



27/08/2004 15:43
A minha mais verdadeira verdade: amo minhas bebês.

Sabe, o que eu mais queria é que minhas filhas não sofressem. Que elas não passassem por nada que pudesse entristece-las. Por nada que pudesse fazer com que o coração delas ficasse miúdo de dor, de angústia, de coisas ruins.
Eu tava aqui pensando num post pra deixar vocês pelos 30 dias em que estarei de férias a partir das 5 horas da tarde de hoje, e me ocorreu falar isso que é a minha mais pura verdade.
Eu amo as meninas.
De todo, todo, todo o meu coração.
E sabe, eu na verdade nem sei até onde este amor vai porque eu não sei que tamanho tem o meu coração.
Acho que pra elas ele é infinito.
Infinito como a beleza.
Infinito como a saudade.

Beijo e abraços,
Menino (Walter) e meninas (Regina e Cris).
Até.

Ricardo, ao som “Noites com Sol” do Venturini.

enviada por ricardo



25/08/2004 16:53
direto do msn

"eros pra que te queros"

alguém se arrisca a responder?


enviada por ricardo



23/08/2004 10:37
Pra Regina e a fé
(De novo eu recordo que o texto não demora mais do que três minutos pra ser lido. Relaxe e leia, você vai curtir).

Em comentário rápido e preciso, a Regina do “novohomem” (sim, é um blog coletivo!), comenta que a fé, quando se tem, de alguma maneira nos eleva e tranqüiliza. E arremata: “Quisera eu ter tanta fé assim...”
Pelo que eu respondo: Quisera eu também, Regina! [risos]
Na verdade não é só a fé, mas é tudo aquilo que se relaciona ao Sagrado é que é mesmo difícil da gente se apropriar. E isso por causa de um ingrediente básico da nossa formação: somos treinados e educados para sermos independentes. E a fé envolve reconhecer alguma – se não total – dependência de algo que não se vê com os olhos do mercado, da lógica, mas com os olhos do coração.
Eu mesmo, pai de duas filhas, às vezes me pego a olhar pra elas ali brincando e penso: “Quero que elas sejam independentes. Que não dependam de marido, de ninguém!”. Que tomem o seu dry martini lá no Cambridge também, por exemplo. Senhoras de si... Donas dos seus destinos...
Tudo isto coaduna com o que um amigo me disse há muito tempo, diante de uma certa situação em que eu tinha que decidir que rumo tomar. Ele me disse: “Ricardo, é chegada a hora de você tomar as rédeas, ficar no comando”. E arrematou, com sua voz de oráculo: “Não siga mais o coro dos contentes!”.
Confesso que à época eu tive medo. Medo e preguiça, visto que comandar demanda esforço e dedicação. E eu não tava a fim de resolver nada... Mas tive que resolver e fiquei mais maduro por causa disso. E mais exigente com os outros também.
Mas o que eu não imaginava é que para viver o outro lado (o de ser comandado, pela fé), eu teria que me esforçar ainda mais.
O esforço de amolecer, baixar a guarda.
Aprendi então que a fé não se alcança pelo caminho do amadurecimento, como estamos acostumados a encarar nossas conquistas na vida. Não, não está em ficar a cada dia mais e mais forte e independente como uma pedra (ma-duro). Ao contrário, o lance está em amolecer...
Sim, amolecer o coração, amolecer a rotina.
Numa palavra: voltar.
Assim, o caminho não é mais o de seguir em frente (comandando rédeas, isto ou aquilo). É sim o caminho da volta, do eterno retorno.
A fé, então, Regina, é esta coisa de se deixar ser. De se deixar comandar. E você não imagina o esforço que isto dá! Esforço de se autodescascar. Dedicação e vigilância diária em não aplicar a tudo e a todos a minha lógica de homem branco classe média: maduro, casado, educado pra matar um leão por dia...
Você pode, com toda razão, objetar que este tá com cara de ser o caminho da alienação, do emburrecimento. Pelo que eu respondo que não. É, antes, o caminho de se reeducar pra aquilo que interessa: e olhe pra uma criança hoje na hora do seu almoço e veja como ela sabe o que de fato interessa nesta vida.
É o caminho de se deixar ser.
E neste caminho cada um escolhe quem vai ficar no comando. Isto cada um é que escolhe. Eu escolhi Cristo, certo de que antes Ele mesmo é quem me escolheu. E, pelo que creio – pela fé – escolheu você também, minha querida companheira de viagem. E mais, pela fé, eu também creio que Ele te aguarda com aquele sorrisão sem fim o teu retorno também.
Basta se permitir voltar.
Se permitir ser abraçada por Ele.
Se permitir ser quem você é: não criatura, mas filha de Deus.
Um forte abraço e que Deus abençoe todos vocês que leram este singelo post.
Todos vocês: filhos pequeninos do nosso Pai.

Ricardo, aquele que se quer cada vez mais mole, ainda que fundado na Rocha. (vixe!, frase mais religiosa essa... - risos).

enviada por ricardo



20/08/2004 14:29
Inconsciente: o meu e o teu
(Solte o mouse, relaxe, respire e leia. Não demora mais que três minutos, eu garanto...)

Como eu já disse pra algumas pessoas, esta semana estou devorando o “O que é religião” do Rubem Alves. E hoje, durante o percurso pro trabalho, eu li um texto do Rubem que de tão límpido, tão claro, fez florescer algo aqui, dentro de mim. Por isso quero compartilha-lo com vocês.
Talvez ele possa indicar um caminho já tão sinalizado, mas que pra você também ainda não tinha sido ouvido.
Um caminho que responda o por que da gente às vezes se pegar questionando: “Mas o que é tudo isso, afinal?”.
Taí uma das respostas.
Volto depois.

--/--

Diz o Rubem (em adaptação livre):

Por que não tentar entender a religião da mesma forma como entendemos os sonhos? Sonhos são as religiões dos que dormem. Religiões são os sonhos dos que estão acordados.
Ousadia demais dizer que religião é apenas sonhos, eu sei. Mas quem diz apenas sonho é porque não entendeu.
De fato, os sonhos não correspondem aos fatos da vida aqui de fora.
Ninguém discorda: os símbolos oníricos não significam o mundo exterior. Mas, e se eles forem expressões da alma humana, sintomas de algo que ocorre em nosso íntimo, revelações das nossas profundezas?
Se os sonhos são revelações do nosso interior, por que é que tais revelações não são feitas em linguagem clara e direta?
Por que a obscuridade, o enigma?
São as máscaras. Um dos lados de nós habita a luz diurna, representa a legalidade, e veste as máscaras de uma enorme companhia teatral, desempenhando papéis por todos reconhecidos: marido fiel, esposa dedicada [noiva virgem, “levita santificado”] etc , e pela representação convincente recebemos [ou pretendemos receber] status, dinheiro e poder. E todos sabem que a transgressão das leis que regem este mundo provoca punições e deixa estigmas dolorosos [rebelde, louca, desajustado, infiel].
Por detrás da máscara, entretanto, está um outro ser, amordaçado, em ferros, reprimido, recalcado, proibido de fazer ou dizer o que deseja, sem permissão para ver a luz do sol, condenado a viver nas sombras.
É o desejo, roubado dos seus direitos.
O desejo proclama o prazer.
A sociedade proclama a ordem.

E assim se configura o conflito.
Tudo seria mais simples se a repressão estivesse localizada fora de nós e o desejo alojado dentro de nós.
[Não haveria culpa de ser quem se é, então. Seria somente o outro quem diz e acusa, não nós mesmos contra nós.]
Vivemos em guerra permanente conosco mesmos. Por vezes somos incapazes de ser felizes, porque não somos o que desejamos ser. O que desejamos ser jaz reprimido...
E é justamente aí, diria Feuerbach, que se encontra a essência do que somos: Somos o nosso desejo, desejo que não pode florescer.
Mas, o pior de tudo, como Freud observa, é que nem sequer temos consciência do que desejamos. E não o sabemos porque o desejo foi reprimido e forçado a habitar as regiões do esquecimento.
Tornou-se inconsciente.
[E o sonho é o mecanismo do ser continuar sendo. Seja através da arte, seja através da religião, também. Mecanismo que permite a vivência num mundo reprimido.]
Como ensina Feuerbach:
“A religião é o solene desvelar dos tesouros ocultos do homem, a revelação dos seus pensamentos mais íntimos, a confissão pública dos seus segredos de amor.” E continua:
“Como forem os pensamentos e as disposições do homem, assim será o seu Deus; quanto valor tiver um homem, exatamente isto e não mais será o valor do seu Deus. Consciência de Deus é autoconsciência, conhecimento de Deus é autoconhecimento.”
Assim, se a psicanálise dizia “conta-me teus sonhos e decifrarei o teu segredo”, Feuerbach acrescenta “conta-me acerca do teu Deus e eu te direi quem és.”
É evidente que as pessoas religiosas não podem aceitar tal conclusão. E Feuerbach concluiria, em conseqüência disto, que o sentido da religião está escondido das pessoas religiosas. Elas sonham mas não entendem os seus sonhos...

--//--

Eu, Ricardo, de volta:

Muitos podem ler estas linhas aí em cima – se é que tiveram paciência – e dizer entre-dentes: “Ué, o Ricardo só vem descobrir isso aos 35 anos de idade!!!”. Pois é, só aos 35. E saibam: não foi por falta de ouvir tudo isso – pelo menos desde os 20 -, mas principalmente por não estar vivendo a coisa toda. O livro do Rubem tem soado tão nítido aos meus ouvidos e à minh’alma esta semana porque eu me dei um tempo de viver tudo isso. Eu atravessei uma linha que muitos não querem atravessar: a linha de se questionar quem se é e o quê se está fazendo aqui. E quando digo fazendo é fazendo a mim e aos outros.
A Cris citou esta semana no “novohomem” um texto da Clarice em que ela diz algo como: “Pega na minha mão e vem! Pelo abismo eu te conduzo. Com medo, mas junto de ti”.
E eu te digo: pega na tua mão e vai!
Descubra-se!
Viva-se!
E deixe Deus crescer em você.

Beijabraços pra todos!

Ricardo, o que às vezes é religioso sim, mas que procura no espelho não mais o outro lado, mas a essência do que está aqui dentro refletido lá fora.

enviada por ricardo



18/08/2004 10:01
Pela manhã

Tudo é desejo, inclusive a sua negação.

//--//

O homem anda pelas ruas. Elas estão todas lá: diversas, vaporosas na sua mudez colorida. Percorre então a busca pelo conforto. Conforto não, aconchego.
enviada por ricardo



16/08/2004 16:28
eu queria tanto postar hj.
queria tanto dizer tudo o q está aqui dentro.
toda a verdade.
toda a mentira.
tudo.
mas fico na saudade.
na nostalgia.
pq?
ora, pq sim Zequinha!
"não há ninguém, não há ninguém, não há ninguém como Tu, yeahhhhh!!!!"
e não há mesmo...
ainda bem.
bj.
r
enviada por ricardo



10/08/2004 14:57
Ligue!

As pessoas que a gente ama continuam vivendo segundo após segundo, minuto após minuto, ainda que mesmo elas vivendo lá e a gente aqui, a gente não se dê conta de que elas existem e que são importantes pra nós.
E foi de pensar nisso que me deu uma grande tristeza agora, em pensar que eu não posso viver a vida de quem eu amo. Eu posso sim por vezes me lembrar delas e dar um presente, um carinho, atenção.
Mas que, mesmo assim, tal qual um sorvete, uma sobremesa gostosa, elas vão um dia acabar.
E aí vai ficar a saudade. O aperto no coração. O sufoco no peito e a ausência de alguém que sorria ao nos ouvir dizer que a amamos.
Vamos dizer agora então!
Eu tô ligando pros meus, ligue pros seus.

Ricardo, 10 de agosto de 2004

enviada por ricardo



08/07/2004 17:06
Conclusão pós-cruz

Fui, logo sou.

Ricardo
enviada por ricardo



04/06/2004 17:44
O desafio

Este sim é um desafio que vale a pena viver: troque o “sei lá” pelo “sei pela fé”. E viva com e na Graça. Dúvidas? Estamos aqui.

enviada por ricardo



28/05/2004 17:50
Desafio

Tá de bobeira? Então acesse e tente alcançar o recorde deste que vos tecla (fiz 558.6).
Boa sorte!

www.meph.eu.org
enviada por ricardo






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